O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) tem usado sua condição de favorito nas pesquisas de intenções de voto para o governo de Minas Gerais para estender ao máximo o suspense sobre sua candidatura. Assim, o senador também adia os ataques de adversários políticos. A quem pergunta sobre sua decisão de ser ou não candidato, ele diz que a decisão passará por uma discussão dentro de sua família e “com Deus”. O parlamentar não condiciona seu projeto ao leque de alianças, como fazem outros candidatos.
Em entrevista ao PlatôBR, o senador usou o mesmo argumento. “Essa questão de ser ou não candidato é uma coisa particular minha, estou vendo mesmo se Deus quer”, afirmou Cleitinho. Mas ele mantém um discurso de candidatíssimo e enfatiza que, como governador, terá uma atuação “até melhor” do que como senador.
“Acho que no Executivo eu terei um desempenho até melhor porque terei mais poder de decisão. No Legislativo, a gente compõe mais. Se eu consegui, no Congresso, fazer um monte de coisas boas para Minas Gerais, como reduzir taxa de licenciamento e IPVA através de uma lei minha, posso fazer muito mais como governador”, disse o senador, para rebater a ideia difundida por outros pré-candidatos de que falta a ele experiência administrativa.
Antes da divulgação dos áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, Cleitinho havia se aproximado do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele se diz honrado com a possiblidade de apoio de Flávio ao seu nome em Minas, mas ressalta que é preciso verificar como a notícia repercutiu entre os eleitores.
Fazer o quê?
Em sua estratégia, o senador indica a necessidade de isolar o escândalo no PL. Nesse caso, Cleitinho não descarta a possibilidade de o Republicanos não se aliar ao PL. “Essa é uma questão deles”, disse Cleitinho, referindo-se aos áudios em que Flávio aparece pedindo dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. “Eu não estou condicionando apoio para ser candidato. Se eu tiver, ótimo. Agora, se o apoio não vier, eu vou ser candidato do mesmo jeito. Fazer o quê?”, disse o senador, praticamente confirmando a intenção de concorrer ao governo de Minas.
Cleitinho já fala sobre seu estilo administrativo, projetando um cenário com uma eventual vitória do presidente Lula, embora descarte uma aliança com o petista para as eleições. “Se eu ganhar em Minas e Lula ganhar para presidente, a primeira coisa que eu vou fazer é sentar com o presidente para tratar os assuntos de Minas Gerais, com respeito e de forma republicana”, enfatizou. “Eu não desejo o mal para ninguém, mas apoio do PT eu não quero. Agradeço”, finalizou.