Dados da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica, órgão climático do governo dos Estados Unidos, apontam que a probalidade de ocorrência de El Niño forte ou muito forte subiu para 67%. A entidade calcula a chance de aquecimento acima de 2ºC das águas do Pacífico, o que eleva os riscos para mudanças no padrão climático, com impactos nas safras agrícolas.
Os dados são acompanhados com lupa pelos Ministérios da Fazenda, da Agricultura e pelo Banco Central, diante dos impactos na produção de alimentos, que podem ser uma pressão adicional sobre a inflação. O aumento desse risco é mais um indicador que contribui para reduzir o tamanho do ciclo de corte de juros no Brasil.
Segundo o Bradesco, os últimos episódios climáticos mostram riscos para o açúcar no Sudeste Asiático, para a qualidade do trigo e para a produção de milho 2ª safra no Brasil, e perda de produtividade de soja no Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, região conhecida como Matopiba. Em contrapartida, Estados Unidos e Argentina tendem a ter safras de milho e soja mais positivas.
Diante desse contexto, o balanço da próxima safra de grãos será mais apertado, segundo o Bradesco, o que deve sustentar preços mais elevados do que na safra passada. As primeiras estimativas dos órgãos americanos para a próxima safra apontam queda da relação estoque e consumo de milho, soja e trigo.