As recentes medidas tomadas pelos Estados Unidos provocaram preocupações no governo, complicações para a campanha de reeleição de Lula e aplausos de seu adversário Flávio Bolsonaro. A interferência dos EUA nas eleições deste ano no Brasil já pode ser observada, mesmo que de forma indireta, nas repercussões das sanções, das tarifas e da classificação de facções criminosas como organizações terroristas, assuntos que entraram na pauta dos principais concorrentes ao Planalto.

Ao viajar para os Estados Unidos para se encontrar com o presidente Donald Trump, Lula buscou aplicar “vacinas” contra o que chama de interferência direta, como avaliam integrantes da equipe do presidente nesse assunto. Um de seus auxiliares apontou que “toda vez que a família Bolsonaro se aproxima da Casa Branca, coisa ruim acontece para o Brasil imediatamente”. A dose antiviral, no entanto, foi insuficiente.

Flávio Bolsonaro foi a Washington, se encontrou com Trump e com membros do governo e voltou ao Brasil pouco antes do anúncio pelos EUA da decisão de classificar facções criminosas como terroristas. Agora, ele procura se esquivar da acusação de que tem responsabilidade na nova onda de tarifas anunciadas contra produtos exportados pelo Brasil.

Fotos divulgadas
Trump, desta vez, não ajudou muito na estratégia de Flávio de desviar dos ataques por “trair” o Brasil, nas palavras de Lula, ou de ser um “sabotador”, como disse o vice-presidente Geraldo Alckmin. No mesmo dia do anúncio das tarifas, o presidente dos EUA divulgou em suas redes sociais as fotos da reunião com Flávio realizada na semana passada, junto com Eduardo Bolsonaro, o irmão de Flávio que, no ano passado, comemorou o primeiro tarifaço.

Em discurso feito durante evento em Catalão (GO), Lula direcionou suas críticas ao secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, uma forma de poupar Trump das maiores críticas para não atrapalhar o diálogo entre os dois presidentes. “Faz pouco tempo que fui aos EUA, o tal do Marco Rubio é anti-América Latina. Já disse ao Trump que ele [Rubio] não gosta do Brasil”, afirmou o petista.

Flávio, que antes buscava se desviar de suas ligações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master e preso sob acusações de fraude financeiras e outros crimes, voltou à defensiva para negar que tenha influenciado Trump na decisão de sobretaxar as exportações brasileira. Ele atribui as novas tarifas ao “tom agressivo” de Lula em relação aos Estados Unidos. O petista, que enfrentava críticas dos bolsonaristas de que não gozava de grande prestígio junto a Trump, aproveita a onda de notícias para fazer o discurso de defesa da soberania do Brasil diante dos americanos.