O governo brasileiro enxerga o interesse dos Estados Unidos na exploração das terras raras como uma das grandes motivações por trás da nova onda de tarifas sobre as exportações brasileiras. Um aceno implícito nesse sentido foi feito pelo presidente Lula ao fazer referência, em discurso feito nesta quarta-feira, 3, à possibilidade de intensificação das vendas para outros países.

“Se ele [os Estados Unidos] não quer comprar, a gente vai vender para quem quiser comprar. A gente não vai ficar reclamando. Se não quiser investir aqui, nós vamos procurar outro”, disse o presidente no pronunciamento feito na reunião ministerial desta quarta-feira, 3. Lula afirmou também que o anúncio feito pelo governo Donald Trump de sobretaxar o Brasil é um desrespeito às práticas diplomáticas entre os dois países. Na opinião do petista, a decisão dos EUA foi tomada com base em “inverdades”.

Por trás das palavras do presidente, interpretam fontes do governo, está uma certa preferência pela comercialização desses insumos com o país asiático, embora essa visão ainda seja tratada de forma reservada no Planalto. Uma vantagem considerada pelo governo é que a tecnologia já desenvolvida pela China para a exploração desses insumos tem um custo ambiental menor do que os métodos utilizados pelos Estados Unidos e pela Europa.

Compartilhamento
O gigante asiático desenvolveu métodos avançados de purificação de metais raros em níveis de excelência não alcançados por outros países. O interesse do Brasil é firmar acordos que permitam o compartilhamento dessa tecnologia.

Na Casa Civil, um grupo de trabalho formado por todas as pastas que tratam do tema se reúne periodicamente para organizar a estratégia de exploração desses minerais e discutir a política nacional para o setor. O governo também aguarda a aprovação pelo Senado do projeto de terras raras no Brasil, já aprovado na Câmara, que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos.

O texto prevê incentivos, leilões de áreas e a criação de um fundo de R$ 5 bilhões para estimular toda a cadeia produtiva. O avanço da tramitação depende de uma decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).