O presidente Lula quer iniciar uma “aproximação calculada” com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com quem não conversa desde a rejeição da indicação do nome do ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para vaga no STF. A expectativa de integrantes do governo é de que a conversa ocorra no final desta semana, após Lula retornar da viagem que faz à França, para participar como convidado da reunião de cúpula do G7.

O cálculo da distância ou aproximação regulamentar feito por conselheiros do presidente obedece a variáveis puramente eleitorais, levando em consideração dois aspectos principais. Lula não deve chegar tão perto ao ponto de receber eventuais exigências de blindagem de Alcolumbre das investigações sobre suspeitas de ter recebido propina do banqueiro Daniel Vorcaro.

Ao mesmo tempo, o petista precisa levar em consideração que Alcolumbre tem em mãos pautas que podem fazer a diferença nas eleições, principalmente, a PEC que trata do fim da jornada 6×1, que está parada nas mãos do presidente do Senado.

“Disposição para a conversa”
Para interlocutores de Lula, mais uma mobilização em torno da esperada aprovação da proposta no Senado pode fazer com que o petista ganhe dividendos nas pesquisas pré-eleitorais. “Pelo menos, já existe uma disposição para a conversa”, disse um governista próximo ao presidente.

“Lula já abriu uma distância de Flávio nas pesquisas e ganhou pontos com a votação da Câmara. Se Lula abre mais um pouco, pelo menos 9 pontos, ele terá a reeleição garantida”, exemplificou, sob reserva, esse interlocutor. Lula estará de volta a Brasília na próxima quinta-feira, 19.