Desde que tomou a decisão de embarcar de vez na candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como assessora econômica e suspender as funções executivas que mantinha na Legend Capital, a administradora Daniella Marques passou a acompanhar o senador em eventos públicos. Nesse novo papel, ela sinaliza quais medidas podem sair do papel – e de sua cabeça – caso ele seja eleito em outubro.
Daniella é uma das cotadas para ocupar o comando do Ministério da Economia, que deve ser recriado se Flávio vencer a disputa. Ela fez parte da equipe de Paulo Guedes durante o governo Jair Bolsonaro antes de ser nomeada presidente da Caixa, em 2022. Se for confirmada, será a segunda mulher a comandar a economia do país, depois de Zélia Cardoso de Mello no governo Fernando Collor.
Nas redes sociais, Daniella intensificou as críticas ao que considera uma “política fiscal expansionista” do governo Lula, pautada pelo aumento dos gastos públicos e pela criação de novos impostos. Além disso, a assessora de Bolsonaro tem alertado para o fato de a dívida pública ter atingido o maior patamar desde a pandemia.
Para ela, a consequência direta do que define como “descontrole absoluto nas contas” públicas é o aumento das despesas públicas com pagamento de juros da dívida. Além disso, sem o rigor fiscal, Daniella afirma que a Selic permanecerá alta para garantir um prêmio de risco aos investidores que financiam o país.
Pauta social e feminista
Além de definir a estratégia macroeconômica, Daniella Marques deve desenhar outros dois programas importantes para uma eventual gestão de Flávio: um para garantir o empoderamento feminino, por meio da autonomia financeira, e outro que cria o que define como uma “rampa” de ascensão social para famílias de baixa renda.
A assessora econômica de Flávio defende que uma das formas de combater o feminicídio no Brasil é reduzir a dependência financeira das mulheres em relação aos maridos. E esse processo passa por formular políticas públicas para capacitar as mulheres para que consigam melhores empregos ou formas de empreender, além de melhorar a oferta de creches para os filhos, para que elas possam trabalhar.
Essa proposta dialoga com um projeto gestado ainda na gestão de Paulo Guedes no Ministério da Economia, que mirava a criação dessa “rampa” para que as pessoas que dependem de programas sociais possam se capacitar e buscar melhores salários no mercado de trabalho. Com isso, essa parcela da população poderia deixar de receber os benefícios do governo, que seriam direcionados a outros mais necessitados.