Investigado pela Polícia Federal por ligações com o banco Master, o senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou a liderança do PT no Senado na quarta-feira, 24, mas ainda não desistiu de se candidatar a mais um mandato no Congresso. Nos próximos passos do parlamentar, aliados preveem novos constrangimentos para o presidente Lula em sua campanha por mais um mandato no Planalto.
Lula vai às comemorações do 2 de Julho em Salvador e Wagner estará no palanque. Petistas têm dúvidas sobre como será o encontro dos dois em público: o ex-líder será reverenciado pelo presidente, junto com os demais nomes da chapa? Como Lula vai calibrar os afagos sem comprometer a reputação do grupo político ou parecer omisso? Qual será o impacto nas urnas para o PT baiano da operação da Polícia Federal que flagrou dinheiro vivo guardado no quarto de hotel e tornou pública a relação envolvendo vantagens pessoais e a compra de um apartamento?
“O que achamos que é o presidente usará tom de cautela. Dirá que ele também foi acusado, que provou sua inocência e que agora será a vez de Wagner fazer o mesmo”, disse um petista. “Mas se Lula for pela emoção e fizer uma defesa incondicional do amigo, não será bom”, confidenciou o integrante do PT, preocupado com os efeitos sobre a campanha de reeleição ao Planalto.
Capital simbólica
A possibilidade de Wagner desistir de ser candidato também tem sido discutida internamente mas, por enquanto, a tendência é que ele mantenha o nome na disputa. A não ser que haja novos fatos contra o senador até as eleições, que poderiam enterrar sua candidatura.
No palanque do 2 de Julho também estarão o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, candidato à reeleição, e o ex-ministro Rui Costa (Casa Civil), que vai concorrer ao Senado, ambos do PT. Na cerimônia, Lula deve sancionar uma lei aprovada pelo Congresso que transfere simbolicamente a sede do governo federal para Salvador nessa dada, que marca a Independência do Brasil na Bahia. A proposta, de autoria do deputado Leo Prates (Republicanos-BA), teve Jaques Wagner como relator no Senado.