Dois fatos chacoalharam o mundo político enquanto o país se mobilizava para o jogo do Brasil com a Escócia no final da tarde da quarta-feira, 24. O mais bombástico foi o vídeo postado por Michelle Bolsonaro com críticas veementes ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato ao Planalto pelo PL.
A ex-primeira-dama disse ter sido humilhada, desrespeitada e maltratada pelo enteado, que teria dito que ela não entendia de política e decidido deixá-la fora das decisões do partido. O vídeo explicitou e agravou uma divisão na direita em relação à candidatura de Flávio, decidida pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Michelle se alinha aos setores que preferiam que o nome escolhido fosse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). A briga narrada por Michelle está relacionada à formação das chapas estaduais. Essa divergência começou a ser exposta em dezembro do ano passado com a resistência da ex-primeira-dama à aliança do PL com Ciro Gomes no Ceará.
Disputa pela herança política
A divulgação do vídeo é o episódio mais barulhento da disputa ferrenha pela herança política do ex-presidente, recolhido em prisão domiciliar pela condenação por tentativa de golpe de Estado. Michelle tem pretensões eleitorais e deve se candidatar ao Senado pelo Distrito Federal.
A ex-primeira-dama preside o PL Mulher e estruturou uma grande rede nacional de mulheres do partido. Esse é um público valioso para Flávio, que tem dificuldade em conquistar o voto feminino, segundo as pesquisas.
As próximas semanas vão indicar o tamanho do estrago que Michelle fez na campanha do enteado.
A queda do líder no Senado
O senador Jaques Wagner (PT-BA) aproveitou a agitação pré-jogo do Brasil para comunicar pelas redes sociais que havia deixado a liderança do governo no Senado. Ele perdeu o cargo arrastado pelas investigações da Polícia Federal sobre o banco Master. Amigo de Lula, o parlamentar deixou o posto depois de uma conversa com o presidente no Palácio da Alvorada.
A estratégia de comunicação de anunciar a saída da liderança perto da hora do jogo do Brasil deu certo e ainda contou com a inesperada ajuda de Michelle Bolsonaro, que dominou o noticiário político e as redes depois da divulgação de seu vídeo.
Para o lugar de Wagner, Lula indicou a senadora Teresa Leitão (PT-PE).
Saiu o nome do vice de Haddad
O ex-ministro Márcio França (PSB) será o candidato a vice-governador na chapa de Fernando Haddad. Embora preferisse se lançar ao Senado, ele aceitou a vaga para contemplar a aliança entre PT e PSB e acomodar as candidaturas de Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (PSB).
O acordo para o palanque de Lula em São Paulo foi fechado durante reunião no Palácio da Alvorada na tarde da quarta-feira, 24. A chapa para enfrentar o favorito Tarcísio de Freitas é formada por quatro ex-ministros de Lula: Haddad (Fazenda) para governador, França (Empreendedorismo) para vice, e Tebet (Planejamento) e Marina (Meio Ambiente) para o Senado.
França foi eleito vice-governador de São Paulo em 2014 e assumiu o cargo entre abril e dezembro de 2018, quando o titular, Geraldo Alckmin, renunciou para se candidatar a presidente.