Enquanto os trabalhos no Senado estão paralisados diante da crise do banco Master e das festas juninas, o presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Ricardo Alban, tem intensificado as conversas com os parlamentares para tratar da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1. Ele tem alertado que eventuais mudanças nas relações de trabalho merecem atenção e profundidade nas discussões. O governo, por outro lado, quer a aprovação da matéria antes das eleições para turbinar a campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

“Mudanças dessa magnitude exigem debate amplo, técnico e responsável, com participação de trabalhadores, empregadores e poder público. Isso porque alterações dessa natureza podem gerar impactos relevantes sobre emprego, custos e a economia de maneira geral. É fundamental e aprofundamento das discussões”, disse Alban.

Para ele, não deve haver pressa do Senado para discutir a proposta. O tema assunto, segundo ele, requer ampliação das discussões à exaustão. Cálculos da CNI indicam que a redução da jornada de 44 horas para 40 horas semanais e fim da escala 6×1 pode elevar os custos com empregados formais em até R$ 267 bilhões por ano, um aumento de até 7%.

Em contraponto ao texto que altera a jornada laboral, a CNI defende o avanço da PEC do Trabalho Flexível, apresentada pelo senador Rogério Marinho. A proposta permite ao trabalhador escolher entre o regime tradicional da CLT ou um modelo flexível baseado em horas trabalhadas, onde o empregador paga apenas pelas horas efetivamente prestadas, com benefícios calculados de forma proporcional.