A sinalização do ministro Dario Durigan (Fazenda) de que iniciará conversas nos próximos dias com o setor privado para tratar do Imposto Seletivo foi bem recebida por diversas entidades empresariais ouvidas pelo PlatôBR.
A avaliação no setor privado é de que Durigan só voltou ao tema após uma autorização expressa da ala política do governo, mais especificamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, para que o assunto entrasse na mesa de negociação.
Como mostrou o PlatôBR, o temor da ala política é de que a definição das alíquotas do chamado “Imposto do Pecado” fosse explorada politicamente pela campanha de Flávio Bolsonaro.
Uma parcela dos integrantes do governo defende que o tributo seja alto para inibir o consumo de produtos considerados nocivos à saúde e ao bem-estar da população e ao meio ambiente. Na prática, isso encareceria o preço da cerveja, dos destilados, do cigarro, das bets e dos carros.
O Ministério da Fazenda chegou a dizer que a discussão sobre o imposto seria feita rapidamente e que o texto seria enviado ao Congresso até março. Com temor da ala política, o processo de debate e definição das alíquotas foi paralisado pelo Planalto, em razão do risco eleitoral. Um dos principais defensores do “trancamento” da pauta foi o ministro Sidônio Palmeira (Secom), chefe da comunicação do governo e um dos principais estrategistas da campanha de Lula à reeleição.