A ascensão de governos de direita na América Latina, em especial na América do Sul, com a recente eleição de Abelardo de la Espriella, na Colômbia, e com a confirmação iminente de Keiko Fujimori, no Peru, pode obrigar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a rever sua estratégia de relação com os vizinhos em um eventual quarto mandato.

Em vez de centrar força em fóruns multilaterais, como a Celac (Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos) ou a Unasul (União de Nações Sul-Americanas), que marcaram este mandato e os anteriores, o petista poderá ter que investir em diálogos bilaterais, pois provavelmente não conseguirá adesões suficientes para posicionamentos conjuntos.

Lula felicitou formalmente Espriella, o advogado milionário que derrotou Iván Cepeda, candidato de Gustavo Petro, e deve mandar um representante para a posse marcada para o dia 7 de agosto. A ideia é pavimentar um caminho para diálogos pragmáticos de temas de interesse comum.

Na nova realidade, as apostas giram em torno de assuntos como a criação de infraestrutura — já que há interesse dos dois países por saídas para o Atlântico e para o Pacífico —, a questão energética, o combate ao crime organizado e acordos de atuação em casos de desastres naturais.

Cartéis de drogas
Não há esperança no governo brasileiro, por exemplo, de que a Colômbia fique fora de iniciativas dos EUA como o Escudo das Américas, coalizão multinacional de segurança e política liderada pelos americanos, formada para combater os cartéis transnacionais de drogas, reduzir a imigração ilegal no Hemisfério Ocidental e limitar a interferência geopolítica estrangeira. Petro não chegou a ser convidado para a formação, no entanto, não há dúvidas de que, sob Espriella, a Colômbia será chamada a participar.

À exceção do argentino Javier Milei, Lula tem mantido bom diálogo com os presidentes direitistas do Chile, José Antonio Kast, e do Equador, Daniel Noboa, e pretende estabelecer a mesma relação com Espriella e Keiko.