Mesmo depois de receber uma carta do secretário de Estado americano, Marco Rubio, que o coloca como interlocutor da Casa Branca, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, hesita em radicalizar seu discurso nos assuntos relacionados à política externa.

A mensagem do chefe da diplomacia americana foi uma resposta a um pedido de Flávio para o governo de Donald Trump  rever as tarifas impostas ao Brasil. Na carta, Rubio indicou Flávio como interlocutor brasileiro junto ao governo de Donald Trump, mas negou a possibilidade de retirada das sanções.

Flávio Bolsonaro evita explorar mais enfaticamente alguns temas da agenda de política externa, como o próprio tarifaço e o apontado risco de o Brasil se tornar uma Venezuela em caso de reeleição de Lula, por enxergar riscos eleitorais junto às faixas mais moderadas da população e ao setor produtivo.

Por isso, a toada do pré-candidato do PL difere bastante daquela adotada, por exemplo, por seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e se gaba de ser um importante canal entre o bolsonarismo e a administração Trump.

No tema tarifaço, para além do risco real de as sanções impostas por Trump se transformarem em perda de votos nas urnas em outubro, a chance de as tarifas não serem revistas pela Casa Branca gera outro problema para Flávio, mesmo com Marco Rubio o apontando como interlocutor para esse assunto.

Já na frente Venezuela, a pauta ficou esvaziada desde que os Estados Unidos de Donald Trump passaram a apoiar o governo de Delcy Rodrigues, após a captura de Nicolás Maduro.

Segurança pública
Em outra via, o filho 01 de Jair Bolsonaro deve explorar o alinhamento com Washington nas questões relacionadas à segurança. Ele deve priorizar em seus discursos, por exemplo, a iniciativa do governo Trump de declarar o PCC e o Comando Vermelho, principais facções criminosas brasileiras, como organizações terroristas.

Integrantes do governo Lula estão atentos a esse ponto e acreditam que Flávio se dedicará a “internacionalizar” o debate interno sobre segurança pública. Já Lula deve seguir na direção oposta, defendendo que é preciso “combater o crime, mas de maneira soberana”, sem interferência de outros países.