A direção do PL, partido do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, ainda não dimensionou o estrago causado na campanha pela briga pública protagonizada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No entanto, membros graduados do partido indicam que o desgaste de Michelle é grande dentro da legenda e que, mesmo antes da divulgação do vídeo, ela demonstrava que causaria problemas para Flávio.
Um dirigente do PL disse que o problema da ex-primeira-dama foi nunca ter se conformado com a decisão de Bolsonaro de escolher o filho para disputar o Planalto. Ele mencionou a postura de Michelle no dia do lançamento da pré-candidatura do senador. “Ela se levantou da cadeira e se colocou atrás do auditório, encostada na cortina da sala. Aquele movimento demonstrou a todos que ela daria problema”, disse sob reserva um destacado político do PL.
“Se o ex-presidente, que estava combalido e preso, achou por bem apresentar o filho, ela não deveria contestar essa escolha ou mesmo se voltar contra ela. Deveria respeitar”, afirmou.
Afrouxar a tensão
A ordem agora é que Flávio tente afrouxar a tensão em relação à madrasta e siga na campanha, principalmente agora que o desgaste dele devido ao envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, deu sinais de arrefecimento. Nesse caso, a ordem é partir para a comparação com o episódio envolvendo o senador Jaques Wagner, ex-líder do governo Lula no Senado. “O que é o caso do Flávio diante do envolvimento do Wagner? É a mesma coisa”, comparou.
Michelle, que foi convencida pelo presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, a não deixar a sigla, agora terá que decidir se será candidata ao Senado pelo Distrito Federal. “Se ela quiser, o partido dará todo apoio a ela, mas ela ainda não disse o que quer”, apontou o dirigente do PL.