A desavença de Michelle Bolsonaro com o enteado Flávio se tornou um problema partidário. A ex-primeira-dama deixou a presidência do PL Mulher na terça-feira, 30 de junho, menos de uma semana depois de ter divulgado o vídeo com críticas ao enteado. Ela também avisou a direção da legenda que talvez não se candidate nas eleições de outubro.

No embate entre Michelle e Flávio Bolsonaro, o PL ficou do lado do senador, pré-candidato ao Planalto. A insatisfação do partido aumentou depois que a ex-primeira-dama compartilhou um vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho para insinuar que o enteado teria participado de alguma festa imprópria promovida por Daniel Vorcaro. Depois, Garotinho negou que o senador estivesse na farra do banqueiro.

Michelle alegou a necessidade de cuidar do marido, Jair Bolsonaro, e da filha adolescente do casal para sair do PL Mulher. Na verdade, foi muito pressionada pela direção do partido por causa dos vídeos Se, de fato, desistir de se candidatar, ela abrirá mão do favoritismo para uma das vagas do Senado pelo DF, segundo as pesquisas.

Eleitoras de Bolsonaro preferem Flávio
Ainda não estão claros todos os motivos que moveram a ex-primeira-dama a se levantar contra o enteado. Dirigentes do PL, no entanto, avaliam que o principal fator para os ataques seja a opção de Jair Bolsonaro pela candidatura do filho. Bem posicionada nas pesquisas para presidente, ela tinha a pretensão de herdar o eleitorado do marido.

No eleitorado bolsonarista, no entanto, as críticas de Michelle não foram bem recebidas. Uma pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada na quinta-feira, 2, mostra que apenas 10,8% das mulheres que votaram em Jair Bolsonaro para presidente gostariam que a ex-primeira-dama se candidatasse ao Planalto. Para 86,9% dessa base feminina, o nome para presidente deve ser o de Flávio.

Pré-candidato escreve aos EUA
Na quarta-feira, 1º, Flávio Bolsonaro escreveu um ofício para o governo dos Estados Unidos para pedir que a aplicação do novo tarifaço contra o Brasil seja suspensa por seis meses para evitar que o Lula seja beneficiado eleitoralmente pela punição. Em um texto de 19 páginas, o pré-candidato do PL tenta culpar o presidente pelo tarifaço com o argumento de que o petista gerou atritos diplomáticos com o governo Trump.

A carta é uma tentativa de reduzir o desgaste político da família Bolsonaro provocado pelo trabalho liderado por Eduardo nos Estados Unidos pelas punições contra o Brasil. Em discurso, Lula usou mais uma vez a expressão “traidores da Pátria” para criticar as ações dos adversários nos EUA.

Negociações sobre o tarifaço
O governo brasileiro considera improvável que os Estados Unidos flexibilizem a aplicação do tarifaço imposto pelo governo Trump. Nesta quinta-feira, 2, o ministro Márcio Elias Rosa (MDIC) participou da quarta reunião sobre essas medidas com o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer.

Depois da reunião, Rosa divulgou nota para informar que foram tratados seis tema: comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, proteção à propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Novas conversas estão previstas para este mês e o propósito do Brasil é “aproximar posições” com os EUA.

PCC: as primeiras sanções
O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou na quarta-feira, 1º, a primeira rodada de sanções econômicas do governo Donald Trump contra o Brasil depois da decisão de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas. Os alvos foram dois brasileiros, três empresas baseadas no Brasil e uma empresa portuguesa, que teriam ligação com o PCC.

Alcolumbre segura a “pauta-bomba”
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), desistiu de votar nesta semana a PEC que cria a aposentadoria especial para agentes de saúde. Essa proposta provoca um rombo de cerca de R$ 30 bilhões em dez anos nas contas públicas.

Alcolumbre decidiu adotar o rito normal para a tramitação da PEC e, com isso, o Senado ganha mais tempo para discutir o texto. Antes de anunciar o adiamento, ele fez um discurso no plenário para reclamar das pressões, “agressões” e “ofensas” para colocar assuntos na pauta. Nas redes sociais, apoiadores do governo tratam Alcolumbre como “inimigo do povo”.

Embora não tenha citado nomes, as queixas de Alcolumbre foram dirigidas principalmente ao ministro Guilherme Boulos (Secretaria-Geral da Presidência) e ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que fazem constantes discursos e postagens para defender a votação da PEC que acaba com a jornada 6×1.

O adiamento da decisão sobre a “pauta-bomba” foi considerado no Senado como um sinal de que Alcolumbre sentiu os ataques e resolveu fazer um aceno ao Planalto.