A conquista do voto evangélico é um ponto prioritário para o PT nesta eleição polarizada com o bolsonarismo, tradicionalmente mais identificado com esse segmento religioso. As pesquisas mais recentes indicam que Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula até o momento, teve uma queda significativa de votos nesse setor, após as revelações de sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro e também em decorrência do conflito com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
O PT quer aproveitar esse recuo de Flávio e tentar reverter votos para Lula. Para isso, vem realizando encontros nacionais com lideranças evangélicas para tentar vencer a resistência ao petista. Outro ponto que está sendo discutido é a criação de uma coordenação inter-religiosa para a campanha.
O partido quer também evitar que cobranças por uma carta de Lula aos religiosos ocorra nesta campanha, como ocorreu na eleição passada. O PT decidiu se antecipar e divulgou um comunicado do partido aos evangélicos no mês passado, demonstrando que entende a importância das religiões, antes que apareça a demanda por um compromisso de Lula.
“O PT reconhece que o estado é laico mas o povo é de muita fé. A fé faz parte do dia a dia do povo. As igrejas funcionam como associações e entidades que acolhem as dificuldades e é esse movimento que a gente quer fazer no país, reconhecendo essa importância”, explicou Gutierrres Barbosa, coordenador nacional do Setorial Inter-religioso da sigla e membro da Igreja Batista Nazareth em Salvador.
Alvo nas redes
Além dos encontros, o PT quer vencer a indisposição dos evangélicos com o partido e isso significa superar a resistência à primeira-dama, Janja da Silva. Esse ponto é entendido como primordial. Janja é frequentemente alvejada nas redes sociais, por pessoas que a associam a religiões de matrizes africanas.
Ao lado da ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente), que é evangélica, Janja participou de um encontro nacional com evangélicos e, ao discursar, disse que não entendia a indisposição. “Eu queria entender quais eram os obstáculos que essas mulheres (evangélicas) viam em nós do campo progressista”, disse Janja. “O campo progressista acredita nos valores que estão no Evangelho e nos valores que estão na Bíblia”, acrescentou a primeira-dama.