Não foi uma “cena inusitada”, tampouco apenas mais uma “gafe”, como parte da imprensa classificou.
O que Lula fez na última sexta-feira, 3, durante uma cerimônia oficial no Palácio do Planalto, foi um gesto obsceno, desrespeitoso e inadmissível para um presidente da República. Mostrar o dedo do meio em um evento institucional é ultrapassar um limite que deveria valer para qualquer ocupante do Planalto.
Ao fazer o gesto, Lula afirmou, em tom de irritação:
“Precisamos acabar com essa história de que o pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles.”
A reação foi imediata. Bolsonaristas questionaram onde estava a “liturgia do cargo”, argumento frequentemente usado durante o governo anterior. A cobrança expõe, de fato, uma evidente contradição no debate público.
Nos bastidores, ministros do próprio governo demonstraram desconforto, ainda que reservadamente.
“Muito ruim. Não precisa disso”, afirmou um deles à coluna, no fim de semana.
Outro auxiliar avaliou que o episódio pode agradar a uma parcela da base de apoio, mas considera que o presidente errou ao agir por impulso e sem medir as consequências.
“Acaba animando parte da base, mas é ruim demais. Acredito que seja na impulsividade, muito pela idade também: Lula anda fazendo coisas sem pensar”, disse.