Às vésperas da sessão do Congresso marcada para a próxima quinta-feira, 9, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), voltou a esticar a tensão em relação do governo. Desta vez, ele divulgou uma nota para reclamar de declarações do líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), de que ele será eleito “inimigo do povo” caso não despache a PEC da jornada de trabalho para a CCJ até a próxima semana, quando se encerram os trabalhos no Congresso.
“Esse tipo de ameaça e tentativa de intimidação não será mais tolerado”, disse o presidente do Senado. “Quem realmente pretende contribuir para o avanço da PEC respeita o devido processo legislativo. Ameaças e constrangimentos institucionais não aceleram a tramitação; apenas afrontam a independência dos poderes”, reclamou o presidente do Senado.
Ao divulgar a nota, Alcolumbre busca atingir dois objetivos. Primeiro, tenta empurrar para o PT a responsabilidade pela não votação da proposta que acaba com a jornada 6×1. Em segundo lugar, procura estancar a campanha que o caracterizam como “inimigo do povo”.
Para os perfis que integram a esfera petista, esse mote é um dos que mais gera engajamento. A redução da jornada tem alta aprovação popular. De acordo com números de pesquisa de março do Datafolha, 71% das pessoas entrevistadas defendem a proposta.
Reunião com Guimarães
Nesta terça-feira, 7, pouco antes de divulgar a nota, Alcolumbre havia se reunido com o ministro José Guimarães (Relações Institucionais) na residência oficial do Senado. Os dois conversaram sobre a pauta da sessão do Congresso e também sobre as votações no Senado. O ministro conseguiu de Alcolumbre o compromisso de não colocar mais em votação as “pautas-bombas”, que aumentam as despesas do governo e envolvem risco de desequilíbrio fiscal.
Na reunião, Guimarães persistiu na tentativa de que ele pudesse liberar ainda nesse semestre a PEC da 6×1, aprovada na Câmara no dia 27 de maio. Desde então, o texto não foi despachado para a CCJ, encaminhamento que desencadeia a tramitação no Senado.
A pauta da próxima sessão do Congresso inclui mais de 90 vetos presidenciais pendentes de votação. Entre eles estão o veto a dispositivos da regulamentação da reforma tributária, vetos ao Orçamento, à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) de 2026 e ao Minha Casa, Minha Vida, ao PL Antifacção e questões de ressarcimento do INSS.