O resultado da inflação de junho garantiu uma trégua momentânea para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas os riscos no radar trazem pressões altistas. O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) do mês passado registrou alta de 0,16% nesta sexta-feira, 10, abaixo da mediana das apostas do mercado, que esperava um aumento de 0,32%.
Lula pode ser surpreendido, em agosto e no primeiro turno das eleições, em 4 de outubro, com aumentos nos preços dos alimentos, diante dos riscos climáticos que podem afetar a produção com a passagem do El Niño. A possiblidade de secas mais intensas no Centro-Oeste e no Nordeste, além de chuvas excessivas no Sul do país, podem prejudicar a safra de grãos e elevar a inflação.
Além disso, a guerra no Oriente Médio, que parecia perto do fim, voltou a ser uma fonte de pressão para o preço do petróleo. No pior dos cenários, com os preços de alimentos e dos combustíveis nas alturas, o petista pode perder votos diante da carestia.
Na melhor hipótese, o conflito se resolveria rapidamente e os efeitos do El Niño seriam limitados, o que tenderia a não afetar negativamente a popularidade do petista.