O senador Jaques Wagner foi intimado pela Polícia Federal para explicar suas ligações com o Banco Master, envolvendo a compra de um apartamento além de outras acusações. O depoimento foi marcado para o dia 7 de agosto, na sede da PF em Brasília, uma semana depois da convenção do partido na Bahia, que deve confirmar as candidaturas dele ao Senado, de Rui Costa, também ao Senado, e do governador Jerônimo Rodrigues à reeleição.

Apesar do desgaste, a ideia no partido é que Wagner seja mesmo candidato, mesmo tendo que se defender no inquérito instaurado pela PF. “Há um nome melhor?”, questionou um petista ao ser perguntado pelo PlatôBR sobre uma possível substituição do senador na chapa.

Nesta terça-feira, 21, o PSD da Bahia oficializou o ex-prefeito de Salvador Edivaldo Brito como suplente de Wagner na chapa. Para um petista baiano, essa é a maior prova de que a candidatura tem potencial para vencer as eleições: “O PSD de Kassab e Caiado indicando o suplente de Wagner é a prova de que ele é mais candidato do que nunca”.

Wagner é investigado na Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de um esquema bilionário de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, como “suposto beneficiário central das vantagens econômicas investigadas, figurando como agente público em favor de quem teriam sido estruturados pagamentos, benefícios e aquisições patrimoniais”. A investigação aponta que o senador é próximo do banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e proprietário do Banco Pleno, instituição financeira que também foi liquidada pelo Banco Central.

As suspeitas de favorecimento embasaram a decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), de determinar buscas em endereços do senador e que acabaram levando à saída dele da liderança do governo no Senado no mês passado. Além das acusações de envolvimento com o banco, Wagner também terá que explicar a tentativa de venda de um terreno, avaliado em R$ 15,8 milhões, que foi barrada por um cartório de Camaçari, na Bahia. A negociação ocorreu no dia 19 de junho, um dia depois da operação da PF da qual ele foi alvo.