Apesar dos solavancos sofridos na fase da pré-campanha, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do PL à Presidência da República, ainda aparece nas pesquisas como a opção mais viável do campo da direita para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições deste ano, deixando para trás políticos experientes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).
Mesmo após as suspeitas de envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e com as acusações lançadas pela madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, Flávio segue como o nome mais viável da direita e o impacto das crises fez ele cair apenas 5 pontos entre abril, mês em que surgiu com melhor desempenho, e julho deste ano – quando registrou a máxima piora, segundo a pesquisa Quaest.
Mas a que se deve a resistência na imagem do candidato bolsonarista? Para o professor Murillo de Aragão, mestre em Ciência Política, doutor em Sociologia pela Universidade de Brasília e pós-doutor em Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha, o fenômeno da polarização no Brasil é o que justifica o desempenho.
“O eleitorado polarizado relativiza as acusações e os tropeços dos candidatos porque o ódio ao outro lado é maior do que a crítica que se faz ao que foi feito”, avalia. “É fato que há um perdão tácito, do tipo: é ruim com ele, pior sem ele.”
Para Murillo de Aragão, a mesma avaliação se aplica a Lula, que também sofreu com denúncias de corrupção e chegou a ser preso pela Operação Lava Jato, mas não perdeu sua popularidade. “Essa questão equivale, de uma certa maneira, aos mesmos episódios que se relacionam ao presidente”, enfatizou o professor.
Em um cenário de polarização entre o bolsonarismo e o lulismo, no entanto, a conquista da pequena faixa do eleitorado mais racional é que pode fazer diferença no resultado final das eleições. “O eleitorado mais racional, que pensa, que se choca, que admite mudar de opinião, é restrito. É claro que esse eleitorado ‘nem, nem’ é o que vai decidir a eleição”, pontua.

