Lula estava à vontade na convenção do PSB, na noite dessa quarta-feira, 29, em Brasília.

Chegou acompanhado de uma tropa de ministros quando a cerimônia já havia começado, em um pequeno auditório no mesmo complexo onde morou logo após vencer as eleições de 2022.

O evento serviu para consolidar a aliança entre PSB e PT e, principalmente, formalizar novamente o antigo adversário Geraldo Alckmin como vice na chapa presidencial.

Lula relembrou o primeiro encontro para tratar da até então improvável parceria com Alckmin, quatro anos atrás. Em tom de brincadeira, reclamou que “a casa era muito religiosa” — Alckmin é ligado à Opus Dei — e tinha “muita água”.

“Não tinha nada para beber”, disse o presidente, numa referência, claro, a bebidas alcoólicas, arrancando risadas da militância socialista. Alckmin olhou discretamente para Lu Alckmin, que estava ao seu lado, e ficou visivelmente com o rosto vermelho.

“Com o Alckmin, a gente nunca vai pensar que vai ter um golpe no dia seguinte”, emendou Lula.

Andando de um lado para o outro no apertado palco, entre goles de água, Lula afirmou que estava se sentindo “mais leve” e “mais esperto”.

“Só envelhece quem não tem uma causa”, disse o candidato à reeleição, aos 80 anos.

Chamou Jair Bolsonaro de “homicida” e Javier Milei de “coisa”, afirmou que nenhum país vai “meter o bedelho” nas eleições brasileiras enquanto ele estiver vivo, criticou economistas que “sabem tudo” quando estão na oposição e cobrou mais “vinho de açaí” do ex-governador do Amapá João Capiberibe, que acompanhava o evento da plateia.

“Me mandou só três garrafinhas? Estou no quarto ano de mandato. Se apresente, meu amigo!”

Lula encerrou o discurso em tom otimista. Voltou a falar em vencer a eleição já no primeiro turno e disse, olhando para Alckmin, que “mesmo se a gente só errar daqui para frente, o acerto foi tanto, que a gente não perde esta eleição”.

“Aquele ditado de que o vinho, quanto mais velho, melhor fica, eu quero dizer que vocês têm aqui duas garrafas de vinho da melhor qualidade. Bebam elas para que a gente possa chegar no dia 4 de outubro e matar as eleições no primeiro turno”, afirmou, em mais uma referência etílica, levantando a mão direita de Alckmin para a foto clássica da chapa.