O ministro do STF André Mendonça autorizou nesta quinta-feira, 30, a Polícia Federal a investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por supostas práticas de tráfico de influência e corrupção. Filho do presidente Lula, ele é acusado de atuar em favor do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em negócios de cannabis medicinal com o Ministério da Saúde.
A abertura do inquérito a pouco mais de dois meses da eleição esquenta o debate sobre corrupção entre as campanhas dos presidenciáveis. Desde maio, as revelações sobre o pedido de dinheiro feito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao banqueiro Daniel Vorcaro para suposto financiamento do filme Dark Horse dominaram o noticiário. Esse fato provocou a perda de alguns pontos para o candidato do PL nas pesquisas eleitorais.
Pelo lado do PT, a investigação da PF se soma ao envolvimento do ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (BA), com o escândalo do Master. Nos dois casos, Lula adotou o discurso de que os acusados devem se defender e que não serão protegidos. Nesse ponto, o presidente procura se diferenciar de Jair Bolsonaro, que fazia pressão sobre a Polícia Federal em investigações sobre familiares quando estava no Planalto.
A senadora aceita entrar na chapa
Depois de meses de negativas, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) nos últimos dias sinalizou à direção do partido que topa ser candidata a vice na chapa de Flávio Bolsonaro. A parlamentar recebeu pressões de aliados e de setores da economia para dar esse passo que formalizaria a aliança entre a federação PP-União Brasil e o PL.
A possível entrada de Tereza na chapa, além do ganho político representado pela adesão da federação, carro-chefe do Centrão, ao filho de Jair Bolsonaro, proporcionaria ao senador um aumento expressivo no seu tempo de TV no horário eleitoral gratuito. A parlamentar também fortaleceria os laços de Flávio com o agronegócio, setor que tem outro representante na corrida presidencial, o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, candidato do PSD ao Planalto.
Apesar da disposição da senadora, a aliança depende de negociações que envolvem os interesses dos diretórios estaduais. O próprio presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), candidato a mais um mandato, demonstra preferir a neutralidade do partido na disputa nacional, pois evitaria assim entrar em choque com o eleitorado petista, majoritário no estado.
Os limites da IA na eleição
A exibição na convenção do PL, no último fim de semana, de um vídeo feito com Inteligência Artificial com imagens de Jair Bolsonaro declarando apoio à candidatura ao filho Flávio provocou questionamentos na Justiça Eleitoral sobre os limites do uso de recursos tecnológicos nas campanhas deste ano.
O episódio se tornou um teste para o TSE em relação à regulamentação feita pelo tribunal das regras sobre a utilização de IA pelos candidatos. A divulgação do vídeo também provocou discussões sobre o possível descumprimento, por parte do ex-presidente, de medidas cautelares impostas pelo STF na decisão que lhe concedeu prisão domiciliar.
Ao Supremo, a defesa de Jair Bolsonaro negou na quarta-feira, 29, que ele tivesse conhecimento da produção e da divulgação do vídeo.
Conflito diplomático com o Paraguai
O presidente Lula causou um conflito diplomático ao mencionar a Guerra do Paraguai, do século XIX, em um discurso feito no interior de São Paulo. Ao falar sobre a necessidade de fortalecimento do sistema de defesa brasileiro, o petista disse que o país vizinho invadiu o Brasil, a Argentina e o Uruguai e provocou a guerra que durou cinco anos.
Em reação ao discurso, o governo paraguaio convocou o embaixador brasileiro em Assunção, José Antonio Marcondes Carvalho, para expressar descontentamento. Com o mesmo objetivo, o presidente Santiago Peña telefonou para Lula. Uma nota oficial também deve ser enviada pelo Paraguai ao governo brasileiro.

