As propostas econômicas para um eventual quarto mandato presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva têm sido divulgadas a conta gotas, sem grande detalhamento técnico e não agradaram a especialistas em finanças públicas e agentes de mercado ouvidos pelo PlatôBR ao longo da última semana.
Os ruídos sobre o tema têm sido frequentes, diante da ausência de um porta-voz definido pelo petista para tratar dos temas econômicos, muito embora o ministro Dario Durigan esteja, cada vez mais, na linha de frente das discussões relacionadas à estratégia de campanha petista.
Até o momento, as sinalizações apontam para o aumento de impostos — como a tributação de títulos isentos como LCAs e LCI —, para uma tímida mudança no arcabouço fiscal com vistas a reduzir de 2,5% para 1,5% o limite de aumento real das despesas e, ainda, para uma proposta de controle de capital feita por Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e um dos coordenadores do plano de governo, que acabou desautorizado pelo presidente do PT, Edinho Silva.
A tributação de títulos isentos foi defendida, mais uma vez, pelo secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, em entrevista ao Valor Econômico. Essa proposta chegou a ser incluída no pacote de medidas aprovada em 2025, mas depois foi rejeitada pelo Congresso.
No caso das mudanças no arcabouço fiscal, não há clareza total sobre as medidas. Uma das razões é a falta de declarações oficiais da campanha, do PT e mesmo do governo e do próprio presidente Lula sobre o assunto. O que já foi divulgado até agora, mesmo que informalmente, tem preocupado analistas, diante da ausência de um plano concreto que possa reduzir o déficit público e mudar a trajetória de crescimento da dívida pública.

