Com exceção de Lula, que conseguiu reunir os partidos de esquerda, os principais candidatos à Presidência da República entrarão na campanha com chapas puro-sangue, ou seja, tendo como vice um filiado ao próprio partido.

Nos bastidores, o Palácio do Planalto trabalhou para impedir que legendas do Centrão — PP-União, Republicanos e Podemos — se aliassem a adversários de Lula.

Mas essa não é a principal explicação para a neutralidade dessas legendas e para o voo solo das demais.

Os partidos já não precisam mais do presidente da República como precisavam até pouco tempo atrás. O movimento se inverteu: hoje, é o ocupante do Palácio do Planalto que depende dos partidos para se manter politicamente de pé.

A captura de uma fatia expressiva do orçamento pelo Congresso mudou de forma definitiva a lógica do poder em Brasília, com consequências ainda imprevisíveis, entre elas justamente o incentivo à neutralidade e às chapas puro-sangue na corrida presidencial.

O que realmente importa para as legendas é eleger bancadas, sobretudo na Câmara, onde se concentra a distribuição do fundo partidário.

A disputa presidencial serve, agora, para testar narrativas e consumir o caminhão de dinheiro público destinado às campanhas.

Mas são as emendas parlamentares que orientam as decisões, antes, durante e depois da eleição. Não há outro cálculo.

No meio, quem permaneceu neutro ou quem sair derrotado tende a compor logo ali com o vencedor para garantir a fatia da fartura, independentemente de divergências ideológicas, com as quais somente o povo, que banca tudo isso, se preocupa.

Essa é a verdadeira pacificação de Brasília.