O PSD definiu o candidato a vice na chapa do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda, que busca voltar ao comando do Palácio do Buriti. O escolhido é o ex-deputado Luiz Pitiman, também filiado ao partido. A definição ocorre após especulações sobre uma eventual composição entre o ex-governador e o empresário Jorge Argello (Avante), filho do ex-senador Gim Argello, condenado na Operação Lava Jato.
Pitiman é uma figura conhecida da política brasiliense. Ingressou na vida pública com a bênção do ex-deputado e ex-presidente do MDB Tadeu Filippelli. Foi eleito em 2010 para a Câmara com mais de 51 mil votos. Na ocasião, orientado por Filippelli, alterou a grafia do sobrenome (originalmente Pietschmann) para facilitar a identificação pelo eleitor. Três anos depois, porém, deixou o partido em meio a um rompimento, que culminou em um pedido de desfiliação na Justiça Eleitoral por infidelidade partidária.
Ainda pelo então PMDB, Pitiman foi um dos responsáveis por enterrar a CPMI do Cachoeira. Foi dele o relatório paralelo aprovado pelo colegiado, com apenas uma página e meia, que não sugeria o indiciamento de nenhum investigado e ainda criticava o trabalho da comissão.
À época, o relator da CPMI, Odair Cunha (PT-MG), hoje ministro do TCU, classificou o parecer do emedebista como “um nada” e afirmou que os trabalhos terminaram em uma “pizza geral”. O petista também acusou o agora candidato a vice de tentar blindar o então governador de Goiás, Marconi Perillo, à época no PSDB — partido ao qual Pitiman se filiaria em 2013.
No ano seguinte, Pitiman disputou o governo do Distrito Federal pelo mesmo PSDB, com o apoio do então candidato à Presidência Aécio Neves. Na ocasião, chegou a comemorar a saída de Arruda da disputa, após o ex-governador ter a candidatura barrada pela Justiça Eleitoral com base na Lei da Ficha Limpa. Terminou a corrida eleitoral na quarta colocação, com 4,5% dos votos válidos.
A definição da chapa montada para as eleições deste ano não afasta as incertezas em torno da candidatura de Arruda. O ex-governador acumula oito condenações por improbidade administrativa decorrentes da Operação Caixa de Pandora. É o mesmo fator que impediu Arruda de disputar o governo local em 2014, quando Pitiman foi seu adversário. A Justiça Eleitoral ainda irá decidir se ele poderá, de fato, concorrer.

