Entre janeiro e julho de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos totalizaram US$ 21 bilhões, uma queda de 12,2%, ou de US$ 2,9 bilhões em números absolutos, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços). Os dados refletem as idas e vindas do presidente Donald Trump, que em julho anunciou um novo tarifaço de até 37,5% aos produtos brasileiros. 

Entre os setores mais afetados está o de móveis e colchões, que no primeiro semestre deste ano exportou US$ 349,7 milhões, ante US$ 374,2 milhões no mesmo período de 2025. Somente para os Estados Unidos, a queda nas vendas chegou a quase US$ 44 milhões. Os embarques de produtos para o país caíram 42%, e a participação americana nas exportações do segmento diminuiu de 28% para 17,4%.

A Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados) calcula que as empresas vão perder competitividade frente a produtos de outros países, o que deve ter um impacto de 7,1% nas exportações totais de calçados do Brasil. O valor representa uma piora de 3,5 pontos percentuais em relação à projeção anterior. Em 2026, o segmento exportou US$ 85 milhões ao mercado americano, uma queda de 23% em comparação com 2025.

No caso do setor de mel, cerca dos 80% dos US$ 117 milhões exportados têm como destino os Estados Unidos. Com o tarifaço, as vendas para o exterior diminuíram sensivelmente. Nada menos que 55% da produção brasileira de mel é exportada, e a dependência das vendas para o mercado americano deve trazer prejuízos significativos ao segmento.