A corrida pelo Palácio do Buriti produziu, no debate da Band, realizado no último domingo, 9, um apoio que dificilmente estaria no script de José Roberto Arruda (PSD). No fim do penúltimo bloco, Ricardo Cappelli (PSB), também candidato ao governo do Distrito Federal, saiu em defesa do “direito” de o ex-governador permanecer na disputa deste ano.
“Eu quero ter a oportunidade de debater e disputar a eleição com você [Arruda]. E que o povo do Distrito Federal escolha quem é o melhor. Não é possível autoritarismo. Eles são autoritários, se acham donos do Distrito Federal, querem impedir o Arruda de ser candidato. Isso eu não concordo, eu defendo a democracia”, afirmou Cappelli ao criticar um possível “tapetão” contra o representante do PSD.
A fala de Cappelli chamou atenção, especialmente pelo histórico judicial que assombra os planos de Arruda desde que foi afastado, em 2010, da principal cadeira do Palácio do Buriti. O ex-governador foi condenado seis vezes por improbidade administrativa em razão da Operação Caixa de Pandora, com sanções que incluem desde multas até a inelegibilidade. A recente alteração na Lei da Ficha Limpa, no entanto, abriu uma discussão jurídica sobre o prazo de impedimento eleitoral de condenados e colocou novamente o nome de Arruda sob a incerteza do real destino político. A definição ainda depende da Justiça, assim como ocorre com outras candidaturas que enfrentam questionamentos semelhantes, como as de Anthony Garotinho (Republicanos-RJ) e de Eduardo Cunha (Republicanos-MG).
Reações
Procurados pela coluna, os demais candidatos adotaram posições diferentes de Cappelli. Leandro Grass (PT) preferiu deixar o caso nas mãos do Judiciário. “Eu defendo a minha candidatura e o nosso projeto político. Quanto às questões judiciais envolvendo outras candidaturas, cabe à Justiça decidir”, afirmou. Paula Belmonte (PSDB), por meio de sua assessoria, disse que cabe à Justiça Eleitoral definir quem está apto a disputar a eleição e que não lhe compete escolher adversários ou antecipar decisões judiciais. “É com essa postura que ela se apresenta aos eleitores e está preparada para enfrentar, nas urnas, todos os candidatos que estiverem legalmente habilitados a participar da disputa”, pontuou.
Já a governadora Celina Leão (PP), candidata à reeleição, reagiu diretamente ao discurso de Cappelli sobre uma suposta tentativa de vencer Arruda no “tapetão”. “Há 16 anos, Brasília conseguiu uma medida protetiva para impedir que Arruda continue prejudicando a nossa cidade”, declarou Celina ao PlatôBR.
O candidato Kiko Caputo, do Novo, defendeu que Arruda possa disputar as eleições de outubro. “Acho que deveriam deixar ele disputar e deixar o povo decidir. Eu não tenho medo de disputar com ele, não”, disse.
A campanha de Ricardo Cappelli também foi procurada, mas não havia se pronunciado até a mais recente atualização da reportagem.

