A reaproximação entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que nesta semana resultou na aprovação de propostas de interesse do governo no Senado, é vista pela oposição em geral e, em particular, pela cúpula da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) como uma chance importante de capturar o discurso “antissistema” nas eleições deste ano. Trata-se de um tema que já embalou o bolsonarismo no passado e que chegou, inclusive, a ser cogitado pelo PT como forma de mobilização em torno da candidatura à reeleição de Lula.
É justamente com essa intenção que Flávio já busca explorar a forma como a reaproximação de Alcolumbre e Lula foi construída, ressaltando um detalhe: a intermediação feita pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), que na semana passada reuniu a dupla para um jantar em sua casa e promoveu a retomada do diálogo, que havia sido interrompido após a rejeição, pelo Senado, da indicação no ministro Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) para uma vaga no STF.
Alguns integrantes da cúpula do PL veem no discurso antissistema o “único caminho” para Flávio vencer Lula nas urnas e apontam a articulação feita por Moraes como “um presente” para o bolsonarista. “Essa é a chance dele de abandonar o discurso radical do bolsonarismo e se colocar contra o poder, citando o ‘abraço’ dado por um presidente que tenta reeleição, um ministro que quer se livrar de possíveis processos de impeachment e o presidente do Congresso, que quer permanecer no cargo. Quer mais sistema que isso?”, avaliou um dirigente do PL em conversa com o PlatôBR. “Flávio terá que saber fazer esse discurso para se colocar como candidato antissistema”, completou.
Coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) também chama atenção para o que classifica como “jeito peculiar” de Alcolumbre de se aliar ao poder, mas considera a reaproximação como algo “natural”. “A relação estremeceu em alguns momentos, mas ele [Alcolumbre] sempre foi e voltou”, afirmou. “Depois do processo eleitoral, o Davi vai querer se recompor para tentar a reeleição. Ele não me disse isso, mas é o que penso”, disse Marinho.

