A falta de entendimento sobre o socorro financeiro ao BRB (Banco de Brasília) deve empurrar para depois das eleições a decisão sobre o aval da União para o empréstimo de R$ 6,6 bilhões. A operação, discutida no STF (Supremo Tribunal Federal), busca viabilizar recursos para o banco após o rombo causado pelas operações com o Banco Master, negociação que está sob investigação da Polícia Federal e que resultou na prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente da instituição financeira brasiliense.

Para a campanha da governadora Celina Leão (PP), a indefinição tem peso infinitamente menor do que o de um possível indeferimento do socorro federal. Candidata à reeleição, ela trabalha para se descolar do problema e responsabiliza o antecessor, Ibaneis Rocha (MDB), por ter autorizado as negociações. Da mesma forma, a demora do acordo também posterga a divulgação de informações financeiras capazes de dimensionar os prejuízos reais causados pelas transações fraudulentas.

A reunião de conciliação realizada nesta quinta-feira, 13, com mediação do ministro Luiz Fux, terminou sem acordo. Governo do DF, BRB, União e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) concordaram em manter as negociações, mas o crédito continuará travado. Durante a audiência, Celina defendeu as contragarantias oferecidas pelo Distrito Federal e destacou a importância do BRB para a economia local, além da manutenção de empregos e de programas sociais ainda administrados pelo banco.

O encontro também expôs divergências sobre a situação fiscal do Distrito Federal. Ao mencionar a melhora da Capag (Capacidade de Pagamento) do GDF, ranking que atesta a possibilidade de emprétimos e financiamentos, Celina afirmou que o índice havia alcançado a classificação A. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, que é publicamente contrário ao auxílio federal, contestou a informação. “Existe metodologia de Capag e, em nenhuma hipótese, essa Capag seria A do GDF”, afirmou. Segundo ele, considerando a atualização da metodologia, a situação fiscal do Distrito Federal teria piorado.

Outro ponto que permanece sem solução é a documentação financeira exigida para avaliar o empréstimo. O FGC informou que o BRB ainda não apresentou o balanço referente a 2025 e ao primeiro semestre de 2026. Sem essas demonstrações, segundo o fundo, não seria possível atestar se os R$ 6,6 bilhões solicitados seriam realmente suficientes para assegurar a viabilidade do socorro financeiro. A divulgação desses números também deverá lançar luz sobre os reais prejuízos causados pela crise do Banco Master, considerada uma das maiores em fraude financeira do Brasil.

Celina Leão, contudo, defende que o balanço oficial seja publicado somente após a autorização do empréstimo. “Quando você publica um balanço, você precisa publicar ele com números melhores. Todos o analistas financeiros sabem disso. É claro que eu quero publicar o balanço com o empréstimo, já que eu estou em curso dele”, declarou.

A União resiste a dar aval para o repasse do FGC, posicionamento recebido sem surpresa pela governadora Celina Leão. “A gente sabe que a União não queria dar o aval, sempre tivemos esse entendimento”, disse.

O advogado-geral da União substituto, Flávio José Roman, confirmou o posicionamento e argumentou que a operação poderia transformar um problema regional em uma obrigação para todos os contribuintes brasileiros. “O aval da União significaria que um problema regional se transformaria em problema nacional”, declarou.

Mesmo sem acordo, o governo distrital pediu ao STF que dispense a exigência de fiança de bancos, principal reclamação atual, e permita um contrato direto entre o GDF e o FGC, desde que haja a garantia da própria União.