O plano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para um eventual quarto mandato propõe “sustentar taxas robustas de crescimento, ampliar os investimentos e elevar a produtividade”. A campanha petista, no entanto, não detalha como pretende enfrentar esse “desafio”, como o próprio documento define, nem apresenta uma agenda clara de corte de despesas para viabilizar a expansão de gastos e investimentos prevista para os próximos quatro anos.
Embora a chapa Lula-Alckmin afirme que os compromissos assumidos no plano são “factíveis, necessários e possíveis”, o programa não especifica quais despesas seriam reduzidas, revistas ou compensadas para assegurar o cumprimento das propostas. O plano de governo defender manter o arcabouço fiscal com objetivo de criar condições para uma “redução sustentada da taxa de juros”.
O documento define um vilão a ser enfrentado pela equipe econômica da próxima gestão: as emendas parlamentares. Lula propõe combater o que o plano chama de “grave distorção na elaboração e gestão do orçamento federal”. No orçamento de 2026, os recursos somaram R$ 50 bilhões, aproximadamente um quinto dos recursos discricionários do Poder Executivo. “As emendas impositivas e o orçamento secreto são práticas que mudaram as relações entre o Executivo e o Legislativo, sequestram o orçamento público, dispersam os recursos e reduzem a eficiência”, diz o documento divulgado pela campanha.
O plano de governo registra ainda que há necessidade de ampliar a justiça tributária, o fortalecimento do Estado, o bem-estar social, a valorização do salário mínimo, a inclusão produtiva, as áreas de educação e saúde e programas de transferência de renda. O documento sugere que uma nova edição do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) manterá a articulação entre investimentos públicos e privados.
Quanto ao salário mínimo, o programa de Lula sustenta que a política de valorização real do salário mínimo contribuiu para o aumento da massa salarial e do consumo e promete seguir nessa lógica. Também fala da expansão do Bolsa Família , com promessa de promete manter, aperfeiçoar e ampliar o programa, assim como as demais políticas de proteção social. Na saúde, o programa prevê a expansão, a modernização e o aumento de investimentos no SUS (Sistema Único de Saúde).

