Além do plano de se tornar uma voz ativa na campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula das Silva, a primeira-dama Janja da Silva quer liderar duas articulações internacionais envolvendo lideranças femininas. A primeira é um “levante” internacional contra o feminicídio, no qual a primeira-dama espera contar com o apoio da presidente do México, Claudia Sheinbaum. A outra frente deve focar na discussão sobre os riscos que as redes sociais representam, na visão dela, para crianças e adolescentes. Nessa segunda frente, Janja pretende ter como aliada Brigitte Macron, mulher do presidente da França, Emmanuel Macron. 

A articulação contra o feminicídio foi tema de uma conversa de Lula com a presidente do México na última quinta-feira, 13. De acordo com interlocutores do Planalto, a ideia é promover uma campanha internacional de conscientização contando com o engajamento de mulheres que exercem cargos importantes e que se destacam na política. Como o Brasil, o México também tem índices alarmantes de violência contra as mulheres.

De acordo com o governo brasileiro, a proposta de fazer uma articulação contra o feminicídio foi bem recebida pela presidente mexicana. Janja já vem trabalhando o tema internamente, com o programa Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio. No ano passado, ela participou do “Levante Mulheres Vivas” em que defendeu mudanças no Código Penal para que agressores não sejam soltos rapidamente após cometerem crimes graves contra mulheres.

Com Brigitte Macron, ela pretende defender medidas de controle para as plataformas digitais que protejam crianças e adolescentes, bem como a responsabilização nos casos que resultam em danos. O assunto já foi abordado com a primeira-dama francesa em encontros que elas tiveram recentemente. A ideia é retomar as conversas. Na semana passada, Janja pediu o bloqueio imediato do Discord no Brasil, após uma adolescente de 13 anos ser induzida ao suicídio durante uma transmissão ao vivo na plataforma. A declaração foi feita em uma cerimônia no Palácio do Planalto. Depois disso, a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) ordenou a suspensão das lives do Discord no Brasil. Em resposta, a plataforma afirmou que não consegue cumprir a determinação no prazo estabelecido pela agência.