A ideia de Flávio Bolsonaro de tirar as universidades federais da alçada do Ministério da Educação não foi para frente no governo do pai dele porque a avaliação era de que mais atrapalharia do que ajudaria o desenvolvimento de políticas públicas na área.
Flávio, no entanto, agora retoma em seu plano de governo a proposta de transferir a gestão das instituições de ensino superior para o Ministério da Ciência e Tecnologia, sob o argumento de “unificar ciência e ensino superior sob o mesmo teto”.
No mandato de Jair Bolsonaro, a medida foi defendida pelos então ministros da Economia, Paulo Guedes, e da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes. E nunca chegou a ser uma prioridade.
As constantes trocas no Ministério da Educação — foram quatro ministros ao longo do governo — ajudam a explicar.
Mas não só.
Quem entendia realmente do assunto sabia que a separação não fazia muito sentido.
Manter a educação infantil, fundamental e média no MEC e deslocar o ensino superior para outra pasta significaria quebrar uma cadeia que vai da formação básica à universidade e à pós-graduação, o que seria pouco eficiente para a formulação das políticas educacionais.
A interlocução entre pastas, em qualquer governo, sempre foi um desafio no Brasil, pela dificuldade de criar sinergia e por depender do perfil de cada ministro para esse trabalho coordenado. Falta maturidade institucional para garantir a produção de políticas integradas.
Nesse caso específico, havia ainda outro obstáculo: a autonomia das universidades, prevista na Constituição, tornaria a simples mudança de ministério insuficiente para produzir os efeitos pretendidos.

