Aliados de Flávio Bolsonaro ainda exploram a declaração de Gilberto Kassab, na semana passada, de que “o Centrão está com Lula”, numa tentativa de associar a candidatura do PSD, com Ronaldo Caiado, ao presidente da República.
Kassab, presidente do PSD e vice de Caiado, se espantou com a repercussão.
Os mais próximos a ele tiveram de correr para dizer que a frase havia sido tirada de contexto. Caiado, por sua vez, precisou relembrar o histórico de oposição a Lula.
A questão, porém, é outra.
Quem conhece Kassab sabe que ele não considera o PSD parte do Centrão. Por isso, disse, sem pensar duas vezes, que “o Centrão está com Lula”, referindo-se a legendas como PP, União Brasil e Republicanos, que optaram pela neutralidade na disputa presidencial.
O conceito de Centrão, não raras vezes, provoca essa confusão em Brasília, sobretudo na direita.
No PSD, diante das reações à fala de Kassab, houve quem lembrasse nos últimos dias que, na campanha de 2018, o bolsonarismo demonizou o Centrão e prometeu que Jair Bolsonaro acabaria com esse grupo político.
No Planalto, porém, a relação foi completamente diferente. Bolsonaro se aproximou do Centrão, governou com o Centrão e, em mais de uma ocasião, disse ser Centrão.
Em 2021, por exemplo, ao defender a aproximação com o PP e a nomeação de Ciro Nogueira para a Casa Civil, Bolsonaro foi direto: “Eu sou do Centrão”.
Ser ou não ser do Centrão é uma das conveniências clássicas do poder e da política.

