O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) têm fugido do debate sobre o que pretendem fazer, em caso de vitória nas eleições de outubro, para equilibrar as finanças públicas a partir de janeiro de 2027. A avaliação nas duas campanhas é de que o tema é espinhoso, não traz votos e pode se transformar em uma dor de cabeça que pode ser explorada contra eles.
Lula não tem tratado do assunto nos discursos e eventos públicos dos quais tem participado por orientação dos auxiliares, para evitar criar ruídos que possam afetar o preço dos ativos e também para não contrariar suas bases eleitorais. “O desafio é fazer com que o presidente não se empolgue e fale algo sobre o assunto que possa ser mal interpretado”, confidenciou um interlocutor do petista.
No caso de Flávio, nas reuniões que tem feito com executivos do mercado financeiro, ele evita falar sobre o tema, pede um voto de confiança e diz que detalhará as propostas caso seja eleito. Nem mesmo os interlocutores econômicos do presidenciável do PL têm explicado quais medidas serão tomadas para tentar reduzir o ritmo de crescimento da dívida pública.
Uma mudança nessa postura, segundo pessoas do entorno dos dois candidatos, tende a ocorrer caso os preços dos ativos, como altas consecutivas do dólar e quedas seguidas da bolsa de valores, se tornem um instrumento de pressão. Assim, tanto Lula quanto Flávio podem vir a ser obrigados a falar publicamente sobre o assunto para conter a desconfiança dos investidores.

