O esforço para que houvesse a conversa telefônica finalmente realizada nesta sexta-feira, 21, entre Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump partiu do presidente brasileiro, que há algumas semanas vinha tentando reabrir o canal de diálogo com o colega americano para tratar do tarifaço imposto aos produtos brasileiros, do combate ao crime organizado e das guerras em curso no mundo.
A confirmação de que o telefonema sairia dos planos e se concretizaria nesta sexta veio na véspera, após um contato da Casa Branca com o Palácio do Planalto. No telefonema, que durou 1 hora e 20 minutos, segundo o governo brasileiro, Trump sinalizou positivamente para a possiblidade de se reunir com Lula para prosseguir nas negociações sobre o tarifaço. Os dois combinaram, mais uma vez, que assessores de um lado e de outro avançarão nas conversas.
Ainda não foi definida uma data para o encontro. Lula já tem viagem marcada aos Estados Unidos para participar da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), no próximo mês.
Trump foi enfático ao afirmar que colocaria seus principais conselheiros e auxiliares para discutir o tarifaço com os ministros brasileiros. Logo após a conversa dos dois presidente, autoridades brasileiras confirmaram que o ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) já tem agendada uma conversa com Jamieson Greer, que comanda o USTR, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
Entre os auxiliares de Lula, a avaliação é de que a conversa com Trump foi positiva e pode levar à retomada das tentativas destinadas a colocar fim às sobretaxas. Temas como o cancelamento do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Viotti, ou a concessão do agrément para que o deputado Daniel Perez assuma a embaixada dos Estados Unidos no Brasil não foram tratados. O assunto eleições brasileiras também não foi tema da conversa. Trump apenas perguntou, cordialmente, como está se desenrolando o processo eleitoral no Brasil.

