Na tentativa de avançar no Nordeste, reduto onde historicamente o bolsonarismo nunca superou o lulismo, a campanha de Flávio Bolsonaro tem apostado alto no vice da chapa, o deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). No último fim de semana, ele participou de vários compromissos na região, e assim deve ser ao longo das próximas semanas, especialmente quando o próprio Flávio Bolsonaro não puder estar presente. “O esforço será de percorrer o maior número de estados, mas o tempo é muito curto”, disse o candidato a vice ao PlatôBR, lembrando que por vezes será preciso ele e Flávio se dividirem para tentar cobrir o maior número possível de estados.

Enquanto Gaspar mirava Alagoas, Pernambuco e Paraíba, Flávio cumpria agendas no Rio de Janeiro e em São Paulo. O deputado foi escolhido como vice para a chapa puro-sangue do PL após negativas de partidos do Centrão, que preferiram seguir neutros no primeiro turno.Um dos elementos que pesaram a favor do nome dele foi justamente o fato de ser nordestino — e, com isso, abrir a possibilidade de brigar por votos que costumam ser destinados ao PT. O candidato a vice se mostra satisfeito com a missão, e acredita que a estratégia vem dando resultado.

Apesar de a região ser predominantemente lulista, Gaspar diz que grande parte do eleitorado nordestino está cansado de promessas petistas. Ele aposta que é nesse nicho que a candidatura de Flávio ganhará corpo. “Já caiu muito a diferença entre ele [Flávio] e o Lula no Nordeste. Lula já foi imbatível no Nordeste. Hoje, grande parte da população trata Lula como caloteiro da esperança”, afirma Gaspar. “O PT faz questão de manter esse pessoal sem prosperidade para conseguir manter sua hegemonia, mas isso está mudando”, emenda.

Embora esteja com a missão de percorrer o Nordeste, Alfredo Gaspar também tem participado de compromissos de Flávio Bolsonaro em outras regiões do país. “Eu não estive com ele em todos os lugares, mas onde eu tenho estado, vejo que ele se transformou em fenômeno. Não há espaço para um terceiro candidato”, crava. “O povo brasileiro vai fazer uma escolha entre o atraso do PT de 20 anos e uma proposta de governo de quem vem com uma vontade muito grande de mudar os rumos do país. O PT não tem nada para prometer mais. As promessas são as mesmas desde 2002.”

Gaspar foi relator da CPI Mista do INSS no Congresso e, como tal, investigou a relação do primogênito do presidente Lula, Fábio Luís Lula da Silva, com personagens enredados no caso, entre eles a lobista Roberta Luchsinger. Ele sugere que há mais relevações sobre o escândalo por surgir, embora admita que esperava um impacto maior das denúncias sobre Lulinha nas pesquisas. “Esses fatos que estão sendo divulgados, para mim, não são surpresa porque fiz o relatório da CPMI e já identifiquei o Lulinha como representante da organização criminosa, com tráfico de influência e corrupção. Daqui para frente mais coisas vão aparecer”, aposta o deputado.