A expectativa era grande, mas a primeira pesquisa Datafolha desde o início oficial da campanha, divulgada nesta sexta-feira, 21, não trouxe grandes variações em relação ao que era esperado pelas duas principais campanhas presidenciais, que falam em “guerra”.

No cenário de eventual segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro, a disputa continua apertada, mas com vantagem numérica para o atual presidente: 47% a 43%.

O quadro não mudou muito em relação às pesquisas mais recentes.

Os dois candidatos têm rejeições altas — 46% para Flávio e 45% para Lula — e enfrentam campanhas marcadas por turbulências. No caso de Flávio, permanece o fantasma da falta de explicações sobre o dinheiro usado no filme Dark Horse. No de Lula, os inúmeros fatos novos envolvendo seu filho, Lulinha, atrelados ao escândalo do INSS dominaram a semana.

No primeiro turno, a diferença entre Lula e Flávio caiu ainda mais: agora, Lula aparece com 39% e Flávio, com 33%. Os demais candidatos, segundo o levantamento, não saíram do lugar: Ronaldo Caiado tem 5%, Renan Santos, 4%, e Romeu Zema, 3%.

Vale registrar que no cenário testado com Pablo Marçal, que, mesmo inelegível, registrou candidatura pelo PRTB, o coach não fez barulho, pontuando 2%, tirando apenas 1 ponto percentual de Flávio.

O deputado José Medeiros (PL-MT), candidato ao Senado com o apoio de Flávio, disse à coluna que a campanha está satisfeita com os números do Datafolha e reafirmou o que outros aliados vêm dizendo nos últimos dias: as pesquisas internas do PL apontam para um cenário de empate.

“Mesmo o Datafolha nos favorece, veja só”, afirmou o parlamentar, com ironia.

O candidato a vice-presidente, Alfredo Gaspar, também demonstrou otimismo.

“Não tenho dúvida de que ainda estaremos na frente no primeiro turno. Vamos vencer”, afirmou, em mensagem enviada ao PlatôBR.

Do lado do PT, o deputado Alencar Santana (SP), candidato à reeleição, avaliou que a disputa continua polarizada e que as diferenças serão apertadas.

“Vai ser uma eleição difícil. Logicamente, não podemos descuidar. Mas acho que, na reta final, vai ter um crescimento do Lula e nós temos tudo para ganhar e levar no primeiro turno. Há uma diferença brutal de projetos e do que foi realizado”, comentou.

Os números mostram resiliência dos dois principais candidatos diante das agitações recentes. O segundo pelotão continua sem conseguir deslanchar.

A propaganda eleitoral no rádio e na televisão começa em uma semana, em 28 de agosto.