Temendo o custo eleitoral em plena campanha, senadores da oposição estão divididos entre barrar ou encarar a votação da PEC que extingue a jornada 6×1. Entre os oposicionistas, há quem defenda esticar ao máximo o rito regimental para postergar uma eventual votação da proposta para depois das eleições. Outra ala reconhece que qualquer esforço para retardar a tramitação pode repercutir negativamente nas urnas.
Entre os líderes da bancada, o diagnóstico é unânime: caso o texto chegue ao plenário, será inviável votar contra, ainda que a proposta traga a assinatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “É claro que é uma coisa eleitoreira. Vamos, com certeza, tentar impedir que seja votada nessa correria”, disse um parlamentar, sob reserva.
De apelo popular incontestável, a pauta é uma das vitrines de Lula e tende a se traduzir em dividendos eleitorais para o presidente, que tenta a reeleição e lidera as pesquisas. O jogo é de ganha-ganha para o petista. Justamente pela força que a proposta tem entre o eleitorado, levá-la a voto imporia uma saia-justa e um desgaste ao principal adversário do petista na corrida à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL), já que a oposição se movimentar para barrar a mudança.
Enquanto os oposicionistas não definem claramente a estratégia, Lula vive a expectativa de se reunir nesta quarta-feira, 26, com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para reiterar a importância de a PEC ser votada. Em paralelo, o Planalto também prioriza a aprovação da MP das Blusinhas, que corre o risco de caducar.
Na bancada do PL, partido de Flávio Bolsonaro, o receio é que projetos caros à reeleição de Lula passem a tramitar a toque de caixa, especialmente após ele fazer as pazes com Alcolumbre. Com o destravamento de propostas de interesse do Planalto a partir da pacificação da relação com os presidentes das duas casas do Congresso, movida também por interesses eleitorais locais, Lula teria a oportunidade de tentar estancar o desgaste provocado pelas revelações da investigação envolvendo seu primogênito, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.

