As evidências de desaceleração do nível de atividade econômica e as surpresas inflacionárias positivas dos últimos meses levaram o economista-chefe da XP, Caio Megale, a mudar a previsão para o comportamento do Banco Central nas próximas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária).
Antes, ele projetava que a Selic terminaria o ano em 14% ao ano. Agora, ele espera três cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, o que levará os juros para 13,25% no fim de 2026. Megale ainda aposta em uma desaceleração econômica adicional em 2027, o que permitirá que a autoridade monetária continue a reduzir a taxa ao longo do próximo ano.
“Com a desaceleração econômica adicional esperada para o ano que vem, e com a hipótese de algum ajuste fiscal após as eleições, mantemos a visão de espaço adicional para corte de juros em 2027, para 11,50%. Portanto, nosso cenário atualizado apenas prevê uma convergência mais célere ao patamar de 11,50%, e não uma avaliação diferente para a taxa básica de juros no médio prazo”, afirma.
Segundo Megale, os dados continuaram favoráveis para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) e as leituras recentes de atividade e inflação vieram abaixo das expectativas, o que sugere que a desaceleração e a desinflação estão se materializando antes do previsto.
Além disso, o economista avalia que o estímulo fiscal não tem sido tão efetivo em impulsionar o consumo, uma vez que o endividamento das famílias e das empresas permanece elevado, os custos de produção estão mais pressionados e os indicadores de confiança vêm recuando.

