Observadores atentos da política mineira têm comparado o processo eleitoral no estado a um roteiro de novela mexicana, com flertes, namoros, casamentos frustrados e traições escancaradas.
Um dos protagonistas, claro, é o senador Cleitinho (Republicanos), que anunciou a candidatura, voltou atrás e, por fim, se lançou novamente na disputa pelo governo estadual. Mas a trama não para aí. Em torno do vaivém dele, houve movimentos de vários coadjuvantes que contribuíram para dar ares de melodrama à disputa.
Primeiro, quando Cleitinho ainda estava em dúvida, o ex-deputado Marcelo Aro (PP) tentou garantir o apoio dele para ser candidato ao governo. O problema: ele foi secretário do ex-governador Romeu Zema (Novo) e do atual, Matheus Simões (PSD). A acusação de traição foi inevitável — e ecoa até hoje pela campanha.
Aro, então, desistiu de tentar ser governador e agora mira o Senado. Cleitinho, inicialmente, chancelou a empreitada. Só que, na sequência, retirou o apoio ao ex-deputado, em circunstâncias ainda não esclarecidas.
Na trama repleta de idas e vindas, tem sobrado para o próprio senador: ele tem sido questionado sobre sua proximidade com o deputado federal Euclydes Pettersen (Republicanos), indiciado pela PF (Polícia Federal) sob suspeita de participar do esquema de descontos indevidos nos contra-cheques dos aposentados do INSS. Procurado, Pettersen disse ao PlatôBR que não foi denunciado e que nem sabe se precisará de um advogado para prestar esclarecimentos aos investigadores.
Segundo o inquérito da PF, Pettersen teria recebido R$ 14 milhões por meio de uma construtora e de uma lotérica. O caso foi investigado pela CPI Mista do INSS que funcionou no Congresso Nacional e teve como relator outro mineiro, o senador Carlos Viana (PSD) — que, aliás, se tornou o candidato de Simões ao Senado, mas recentemente recebeu acenos de Cleitinho.

