O Brasil pode levar de 17 a 30 anos para acumular o ganho de produtividade necessário para compensar a redução da jornada de trabalho para 40 horas, caso a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que acaba com a escala 6×1 seja aprovada pelo Congresso. O texto, já aprovado na Câmara dos Deputados, deve tramitar na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado nesta semana . 

A projeção faz parte de um estudo da CNI (Confederação Nacional da Indústria) divulgado nesta segunda-feira, 31, que estima os efeitos da redução na jornada de trabalho na economia e simula os impactos sobre a produtividade. A estimativa considera o cenário em que as empresas mantêm empregos e salários e absorvem a queda nas horas trabalhadas sem desconto na remuneração. Nesse caso, o total de horas trabalhadas cairia cerca de 7,8% e a eficiência por hora trabalhada precisaria aumentar entre 8,3% e 8,5% — seria necessário, assim, aumentar a produtividade para compensar a redução do tempo disponível de trabalho.

O problema principal está na produtividade da economia brasileira, que cresce a passos lentos há anos. O estudo da CNI  mostra que de 1981 a 2024, a produção por hora trabalhada cresceu, em média, 0,5% ao ano. Nesse ritmo, seriam necessários cerca de 17 anos para acumular o ganho estimado. Considerando o desempenho dos últimos seis anos, em que a média anual caiu para 0,28%, o tempo necessário para compensar a redução da jornada se aproxima de três décadas. 

Setores mais intensivos em mão de obra ou com menor capacidade de reorganizar processos podem exigir ganhos ainda maiores de produtividade para manter o nível de produção. Na indústria extrativa, por exemplo, esse avanço poderia chegar a 10,4%; na construção, a 9,8%; e, na indústria de transformação, a 9,3%. Na agropecuária, seria necessária uma elevação de produtividade de até 13,6%, enquanto no comércio seria de 10,6%.