Um dia após tornar públicas as mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes, o ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), evitou a antessala do plenário, onde os ministros geralmente se encontram antes da sessão. Mendonça chegou ao STF às 14h25 desta quarta-feira, 2, e foi direto para o plenário. A sessão começou cinco minutos depois. O esforço para evitar a antessala não o impediu, porém, de ficar bem perto de Moraes: como a disposição das poltronas é pré-definida, ele passou a sessão sentado ao lado de Moraes.

O relator do caso Master optou por entrar pela garagem, acompanhado de seguranças. Cumprimentou jornalistas em um tom muito mais tenso que o usual e não deu chance para perguntas. Moraes chegou 15 minutos antes, pela porta principal do prédio do Supremo. Também cumprimentou os repórteres, mas não parou para falar — até o fim da tarde, ele não havia se manifestado publicamente sobre o teor do relatório cujo sigilo foi derrubado por Mendonça na véspera.

A posição dos ministros no plenário do STF é determinada pela ordem de antiguidade na corte. A despeito da proximidade física durante a sessão, não houve nem sinal de interação entre os dois protagonistas da crise em curso no Supremo. Os dois não se cumprimentaram e, nos minutos que antecederam a abertura da sessão por Edson Fachin, mantiveram-se de cabeça baixa, mexendo em seus celulares — com exceção dos instantes em que Moraes trocou olhares discretos com o ministro Flávio Dino, sentado do lado oposto.

A sessão transcorreu em clima de paz armada. Fachin já havia dito que não abordaria o tema — ele havia feito um rápido pronunciamento a respeito pela manhã, em um evento no próprio Supremo, no qual reconheceu a gravidade da crise e prometeu adotar medidas. A expectativa é que o presidente da corte trate do caso em plenário na semana que vem. Logo após o início da sessão, o ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, se retirou. Na véspera, com a crise entre Mendonça e Moraes já instalada, ele conversou com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que o chamou no Palácio do Planalto fora da agenda para expressar preocupação com a crise.