“No momento adequado, eu vou falar. Todo mundo esqueceu que pediram R$ 130 milhões para a mesma pessoa para fazer um filme. E agora o culpado é só o ministro Alexandre de Moraes?”
Davi Alcolumbre não precisa esperar o “momento adequado” para falar. Já está compreendido.
A manifestação do presidente do Senado durante a sessão de quarta-feira, 2, escancarou a aliança tática entre Alcolumbre e Moraes.
Alcolumbre quis proteger Moraes para se autoproteger. Um precisa do outro.
Naquele mesmo dia, os dois se reuniram por três horas, antes de Moraes acusar André Mendonça de “abuso de autoridade” no inquérito das fake news — decisão já contestada por Edson Fachin, presidente do STF.
Na petição, Moraes saiu, sem rodeios, em defesa do presidente do Senado.
“Avalia-se que Davi Alcolumbre constitui provável alvo estratégico, considerada sua força política, o favoritismo para manter-se na presidência do Senado Federal e o consequente controle da pauta daquela Casa, notadamente quanto ao processamento de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal”, escreveu o ministro.
Antes disso, um mês atrás, Moraes havia sido o anfitrião do encontro que selaria as pazes entre Alcolumbre e Lula. A conversa ocorreu na casa do ministro do STF. A pauta do Congresso foi o assunto, segundo juraram interlocutores.
Mais anteriormente, no fim de abril, Alcolumbre já havia se unido a Moraes para comandar, no plenário do Senado, a derrota de Jorge Messias, indicado por Lula ao STF. Moraes teria se convencido de que, se aprovado, Messias se alinharia a André Mendonça, que trabalhou abertamente, sem sucesso, para garantir a aprovação do amigo evangélico.
O caso Master deixou tudo interligado.

