Na semana passada, André Mendonça apresentou notas fiscais de um terno comprado em uma alfaiataria de luxo para negar que tenha sido presenteado por um lobista ligado ao banqueiro Daniel Vorcaro.
“Fala, Vorcarinho. Trabalhando por você. Levei o André lá no Vasco [Vasconcellos, o alfaiate] agora para fazer um terno”, disse o lobista Ciro Soares em uma mensagem de fevereiro de 2025.
O episódio, independentemente do desfecho do caso específico, ilustra uma prática comum em Brasília.
Advogados e lobistas que atuam nos tribunais superiores costumam presentear ministros com ternos, gravatas e camisas personalizadas com as iniciais gravadas.
Para manter a discrição do mimo, muitos fazem o seguinte: descobrem a alfaiataria já frequentada pelas excelências e encomendam ali as peças, usando as mesmas medidas dos ministros.
Em alguns casos, nem precisam entregar o presente pessoalmente. Na próxima vez em que a autoridade for à alfaiataria, a encomenda estará esperando por ela, devidamente identificada com o nome de quem pagou.

