A decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), de afastar Andrei Rodrigues da chefia da PF (Polícia Federal) elevou a tensão no Senado. Senadores ouvidos pelo PlatôBR avaliam que o episódio fortalece a ofensiva da oposição pelo impeachment do também ministro Alexandre de Moraes. Ao mesmo tempo, porém, veem o presidente da casa, Davi Alcolumbre (União-AP), “irredutível” em relação a qualquer avanço sobre o tema pelo menos antes do fim das eleições.
Entre parlamentares de oposição, favoráveis ao impeachment de Moraes, o entendimento é de que Alcolumbre “já respondeu” como pretende conduzir a crise ao provocar Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na semana passada quando foi indagado sobre o tema. Alcolumbre lembrou, na ocasião, dos repasses de Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, a cinegrafista de Jair Bolsonaro. Nos bastidores, ele também teria ameaçado abrir um processo de impeachment contra o próprio Mendonça caso a oposição insista em tirar Moraes do Supremo.
Outro diagnóstico entre parlamentares da oposição passa pela resistência habitual do Senado em avançar sobre o Supremo. Parlamentares lembraram, inclusive, da presença de Alcolumbre ao lado de Edson Fachin no desfile de 7 de Setembro, como convidados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Existe uma blindagem do presidente do Senado com os ministros do Supremo muito clara. Essa postura mostra um Senado prostrado, completamente a serviço dessa autoblindagem. Eu acho que ele [Alcolumbre] tem que ser afastado também”, avançou o senador Eduardo Girão (Novo-CE) em conversa com o PlatôBR.
A aposta de momento é que, mesmo com o agravamento da crise, Alcolumbre fará o que já havia sinalizado: não pautará, por ora, qualquer medida contra ministros do STF antes das eleições. Esse cálculo, porém, não é tido como definitivo e, avaliam os mesmos parlamentares, pode mudar caso a crise entre Mendonça e Moraes continue a escalar.

