Não foi só do lado do governo e da campanha de Lula que houve comemoração pelas decisões tomadas por Edson Fachin nesta quarta-feira, 9, na tentativa de encaminhar uma solução para a inédita crise no STF. Se petistas viram os despachos como positivos, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência e lideranças da oposição também enxergaram vantagens, especialmente no despacho que retirou de Alexandre de Moraes a relatoria do polêmico inquérito das fake news. Na avaliação do núcleo duro bolsonarista, Fachin começa a dar sinais de “uma correção de rota”.

O diagnóstico é de que os encaminhamentos de Fachin são ruins para Moraes. Embora também penalizem André Mendonça, que viu sua decisão de afastar o delegado Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal, as decisões prejudicam Moraes em maior medida, avaliam os aliados de Flávio. Além de perder o inquérito que conduz há sete anos, Moraes verá o plenário da corte se debruçar, na terça-feira, 15, sobre as mensagens que revelam suas relações com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Há, porém, um temor na campanha do PL causado pelo retorno de Andrei Rodrigues ao comando da PF: acredita-se que o diretor-geral, depois de ter sido afastado por Mendonça, pode buscar uma revanche capaz de respingar em Flávio. “Vai fazer sangrar a campanha”, prevê um interlocutor próximo ao clã Bolsonaro. O medo é de que Rodrigues impulsione investigações como a que mira o financiamento de ‘Dark Horse’, a cinebiografia de Jair Bolsonaro que teve Vorcaro como patrocinador.

Ainda assim, os bolsonaristas enxergam mais pontos positivos do que negativos neste novo momento da crise no Supremo. “Começamos bem, só não pode haver golpe”, disse um senador de oposição ao PlatôBR, referindo-se à possibilidade de Fachin avocar as relatorias do Master e do INSS. “Finalmente temos o início de uma correção de rota. Esperamos que outras decisões nesse sentido voltem a acontecer”, disse o líder da oposição na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). Até agora, na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro é quem mais capitaliza eleitoralmente a crise institucional no Supremo.