O temor da oposição ao governo Luiz Inácio Lula da Silva de que haveria retaliação da cúpula da PF (Polícia Federal) e da ala do STF (Supremo Tribunal Federal) alinhada ao Palácio do Planalto se confirmou — e mais rápido que o esperado. Enquanto governistas comemoravam o mais novo desdobramento das investigações sobre os repasses ao filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro e lideranças bolsonaristas no Congresso acompanhavam atentamente ao longo desta quinta-feira, 10, os desdobramentos da Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, e com potencial de desgaste para a candidatura do senador.
Internamente, o PL não esconde a irritação com a mais recente investida da PF contra aliados de Flávio, ainda que considerasse uma “revanche” como possibilidade real diante da escalada da crise sem precedentes no Supremo. O temor dos bolsonaristas começou a ganhar forma após a decisão do ministro Edson Fachin que, na noite desta quarta-feira, 9, sacou Alexandre de Moraes do até então interminável inquérito das fake news e avocou os autos para si.
A oposição entende que Dino, com a nova investida no caso “Dark Horse”, tenta “empatar o jogo” e reequilibrar a disputa interna que já influi diretamente na corrida pela Presidência. Aliados de Flávio chamam a atenção também para o timing da operação — um dia após Andrei Rodrigues ser reconduzido ao comando da PF — e para o alvo principal, o deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-integrante do governo Bolsonaro e um dos nomes mais fiéis ao ex-presidente. “É difícil não enxergar revanchismo quando vemos o aparato do Estado sendo usado dessa forma contra adversários políticos. O deputado tem posições políticas muito claras e é um crítico aberto do atual governo”, disse ao PlatôBR a deputada Bia Kicis (PL-DF).
Para integrantes da campanha bolsonarista, a reação veio bem antes do esperado. Nos cálculos internos dos aliados de Flávio Bolsonaro, a expectativa era de que Moraes “caísse atirando”, mas apenas após a sessão marcada para terça-feira, 15, quando o plenário do STF deverá, em tese, se debruçar sobre as suspeitas em torno da relação do ministro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master.

