O governo brasileiro e os empresários do setor de proteína animal trabalham com dois cenários nas conversas sobre o embargo da União Europeia à carne brasileira, vigente desde 3 de setembro. No primeiro, mais otimista, acreditam que uma reunião extraordinária do comitê técnico que impôs as sanções — e que realizou inspeções no Brasil na primeira semana de setembro — faça uma reunião até o início de outro e libere, pelo menos, a exportação de aves e mel. O pior cenário considera que qualquer decisão sobre o tema só seja tomada em novembro, quando haverá uma reunião ordinária do mesmo comitê.
A União Europeia anunciou o embargo a produtos de origem animal do Brasil em junho, sob a justificativa de que o país não apresentou as informações necessárias para comprovar que atende às exigências sobre o uso de antimicrobianos destinados ao tratamento e à prevenção de infecções em animais. Para tentar uma solução, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enviou uma carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em 31 de julho, mas ainda não houve resposta, segundo técnicos do Itamaraty e do Palácio do Planalto.
Em uma nota conjunta divulgada quando o embargo começou a valer, os ministérios das Relações Exteriores e da Agricultura e Pecuária chegaram a cogitar a possibilidade de o Brasil adotar mecanismos de reciprocidade em relação aos produtos europeus, além dispositivos previstos no acordo entre o Mercosul e a União Europeia.

