Independentemente do resultado, a sessão do STF (Supremo Tribunal Federal) para discutir a abertura de investigação sobre a relação do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro tende a seguir influenciando fortemente a corrida presidencial, faltando três semanas o primeiro turno. O assunto é tratado como prioritário nas campanhas dos dois candidatos que lideram as pesquisas de opinião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, do PL.
Mesmo sem ter certeza de como a guerra interna no tribunal vai se desenrolar, as duas campanha vêm seguindo estratégias previamente definidas. Lula busca se desvencilhar dos estilhaços com a tentativa de encaixar o discurso de que os problemas precisam ser resolvidos pela própria corte, sob o comando do presidente Edson Fachin. Além disso, o petista mantém a estratégia de se descolar de Moraes, que ficou fortemente associado ao governo e ao próprio PT em razão da condução dos processos relacionados à tentativa de golpe.
O comitê de Lula também se arma para explorar elementos do fogo cruzado em curso no tribunal, com ataques a Flávio Bolsonaro, utilizando-se especialmente os desdobramentos das ações comandadas pelo ministro Flávio Dino contra alvos do bolsonarismo. “A ideia é tratar a questão como interna, mas sem fechar os olhos em relação aos malfeitos do adversário que tem muito a explicar”, diz uma fonte da campanha petista.
Já aliados de Flávio Bolsonaro dizem que a ordem, agora, é que ele tente explorar de forma calculado os efeitos da crise. Há, inclusive, quem defenda internamente que o candidato do PL evite dar muita ênfase ao discurso anti-STF, típico do bolsonarismo, e foque numa toada de serenidade. A leitura é que, mesmo com o envolvimento direito de Flávio com o ex-banqueiro Vorcaro ao pedir dinheiro para Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro, naturalmente seguirá rendendo dividendos à sua candidatura.
A palavra de ordem é agir com “tranquilidade” e, dizem aliados, o candidato deixará a cargo do coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), a tarefa de assumir o discurso mais agressivo, quando for o caso. “Ficar naquele discurso anti-STF é um negócio complicado, perigoso”, avalia um integrante da cúpula da campanha do PL. “Flávio já está agindo ao não falar. Não falar é também uma ação. Se a gente mexer muito agora, dá problema”, justificou uma fonte da campanha, ressaltando o crescimento do senador nas últimas pesquisas. “As águas estão se movendo para o nosso lado. Não para o lado do atual presidente”, acrescentou uma fonte do partido de Flávio Bolsonaro.

