Um candidato a deputado federal e liderança evangélica recordou à coluna contato recente que teve com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, e que hoje ganha novo significado diante da crise sem precedentes que assola a corte. Na ocasião, em conversas com estudantes de Direito e figuras públicas — entre elas a fonte, que pediu para não ser identificada —, o ministro, recém-empossado na presidência do Supremo, comparou a função à de um porteiro de um parque que se via diante de um dilema.
Na metáfora usada por Fachin para descrever o próprio papel, o funcionário se deparava com um visitante tentando entrar no espaço público conduzindo um urso na coleira. Na entrada, porém, a sinalização proibia expressamente apenas a entrada de cachorros. Diante do impasse, a conclusão do porteiro foi de que o animal deveria ter o acesso autorizado, por mais absurdo ou arriscado que parecesse, uma vez que a regra vetava estritamente o acesso de cães. A norma, ainda que falha, deveria ser aplicada nos exatos termos em que foi escrita. O problema, na avaliação do ministro, estava na placa (ou seja, na lei), e não em quem tinha o dever de interpretá-la.
A analogia narrada por Fachin ainda em 2025 ganha significado quase literal nos dias de hoje, quando o presidente do STF se vê diante de um dilema inédito nos 136 anos de existência da corte: decidir se abre ou não uma investigação contra um colega. Na sessão de terça-feira, 15, porém, o “porteiro” não conseguiu decidir sequer se o “urso” poderia entrar no parque — e o impasse permaneceu sem solução. Faltou a Fachin seguir a placa, ainda que mal escrita, em vez de deixar o julgamento se arrastar sem um desfecho claro. O receio é que a indefinição prolongue a turbulência e abra espaço para o cenário advertido por Flávio Dino: o de o STF passe a enfrentar “uma crise por semana”.

